LEGÉTI - Aula 3

CATEGORIAS AUDIOVISUAIS

A Essência das Categorias Audiovisuais

Entender as categorias (ou gêneros) do audiovisual é fundamental. Não se trata apenas do tema da história, mas de como as escolhas técnicas de câmera, luz e som constroem essa história.

Cada gênero exige uma abordagem técnica completamente diferente no set de gravação. Entender essa essência é o que separa um vídeo amador de uma produção intencional.

Terror (Horror) e Suspense

  • A Essência: A construção da tensão, do medo e do desconforto. O terror brinca com o que não estamos vendo.

  • No Set de Gravação:

    • Luz: Domina o Low-Key (iluminação de baixo contraste e muitas sombras). A escuridão é um personagem.

    • Câmera: Ângulos inusitados, câmera na mão para gerar instabilidade ou movimentos extremamente lentos que antecipam um susto.

    • Áudio: O som é 70% do terror. O silêncio absoluto seguido de um pico sonoro (jump scare), ruídos de baixa frequência (que geram desconforto físico) e a respiração dos personagens.

O uso do escuro na cinematografia de terror. Fonte: Medium

Alguns filmes clássicos que marcaram época na categoria Terror (Horror) e Suspense

  • Psicose (1960): A silhueta através da cortina do chuveiro e a fisionomia apavorada de Janet Leigh acompanhada pela famosa trilha de cordas de Bernard Herrmann.

  • O Exorcista (1973): A silhueta do Padre Merrin sob a luz de um poste, chegando à névoa em frente à casa de Regan, uma das imagens mais icônicas e misteriosas de Hollywood.

  • À Meia-Noite Levarei Sua Alma (1964): A fisionomia ameaçadora de Zé do Caixão com sua capa preta, cartola e unhas longas, encarando a câmera enquanto faz suas famosas pragas e discursos existenciais.
 
  • As Samurais de São Paulo / O Despertar da Besta (1970): O surrealismo psicodélico que misturava terror, alucinações urbanas e crítica social durante a ditadura militar.

Ficção Científica (Sci-Fi)

A Essência: O “E se?”. Explora realidades alternativas, avanços tecnológicos, o espaço ou futuros distópicos.

    • No Set de Gravação:

      • Luz e Cor: Uso pesado de Color Grading (correção de cor) para criar mundos artificiais. É comum o uso de tons frios (azuis, cianos) ou neons contrastantes (estilo Cyberpunk).

      • Direção de Arte: Cenografia e figurino ditam as regras. A câmera muitas vezes faz movimentos precisos e mecânicos.

      • Áudio: Design de som sintético (sintetizadores, efeitos digitais) para criar barulhos de máquinas, naves ou tecnologias que não existem no mundo real.

Star Wars: Episódio IV (1977)

Alguns filmes clássicos que marcaram época na categoria Ficção Científica (Sci-Fi)

  • 2001: Uma Odisseia no Espaço (1968): O macaco tocando o osso que flutua no ar após virar ferramenta, transformando-se em uma nave espacial no mesmo corte.

  • Blade Runner (1982): Roy Batty segurando uma pomba branca sob a chuva ácida de uma Los Angeles decadente e neon.

  • Neo (Keanu Reeves) desviando de balas em câmera lenta (bullet time), curvado para trás.

Documentário

  • A Essência: A busca pela verdade e o registro do real. É a narrativa construída a partir de fatos, depoimentos e observação.

  • No Set de Gravação:

    • Câmera: Agilidade é a palavra-chave. Estilo run-and-gun (câmera na mão, pronta para a ação). Uso frequente de B-roll (imagens de cobertura) para ilustrar o que o entrevistado diz.

    • Luz: Iluminação natural ou adaptada rapidamente ao ambiente (available light). Em entrevistas, usa-se um esquema clássico de 3 pontos, mas com aspecto realista.

    • Áudio: Captação de som direto impecável. O microfone de lapela e o boom são seus melhores amigos, pois o diálogo é o rei do documentário.

Comédia

  • A Essência: O timing (tempo de reação) e a quebra de expectativa. O humor nasce da situação, do diálogo ou da fisicalidade.

  • No Set de Gravação:

    • Luz: Tradicionalmente High-Key (iluminação clara, brilhante e com poucas sombras). O espectador precisa ver claramente a expressão facial e corporal do ator para a piada funcionar.

    • Câmera: Planos mais abertos. A comédia física exige espaço no quadro.

    • Edição/Montagem: O ritmo do corte é o que dita o sucesso da piada.

Minha Mãe é Uma Peça - O Filme, com Paulo Gustavo

Paulo Gustavo Amaral Monteiro de Barros (1078 – 2021) foi um ator, humorista, diretor, roteirista e apresentador brasileiro, reconhecido internacionalmente por seus trabalhos no teatro, no cinema e na televisão. 

  • Uma Babá Quase Perfeita (1993): O rosto de Robin Williams coberto por máscara facial de glacê/creme.

Drama

  • A Essência: O conflito humano, as emoções profundas e a empatia.

  • No Set de Gravação:

    • Câmera: Planos fechados (Close-ups) nos rostos para capturar cada microexpressão.

    • Luz: Iluminação motivada (que simula fontes reais, como a luz de uma janela ou um abajur), criando uma atmosfera intimista e realista.

O Poderoso Chefão (1972): Don Vito Corleone em ato de violência
  • Central do Brasil (1998): Dora (Fernanda Montenegro) na mesa da estação de trem ditando cartas.

  • O casaco vermelho da menina em meio à atmosfera monocromática.