HISBA- Aula 6
Século XVIII: Situação da população e e das pessoas escravizadas
Durante o século XVIII, Salvador era uma das maiores e mais importantes cidades do Brasil colonial, sendo a capital da colônia até 1763. Sua população era bastante expressiva para a época, e a presença de pessoas escravizadas era um pilar fundamental da sociedade e da economia.
Situação Populacional:
Um censo realizado em 1779 (datado de 1780) indicou que a população do município de Salvador era de 65.285 habitantes, sendo 39.209 na cidade e 26.076 nos subúrbios. Isso a tornava a maior cidade do Brasil nesse período.
No início do século XIX, estimativas de viajantes estrangeiros apontavam uma população total entre 75.000 e 120.000 habitantes, o que sugere um crescimento contínuo ou variações nas metodologias de contagem.
Situação das Pessoas Escravizadas:
Salvador foi um dos principais portos de desembarque de africanos escravizados nas Américas, sendo considerada uma cidade escravista onde a maior parte do trabalho doméstico e manual era realizada por africanos e seus descendentes.
Estima-se que, ao longo da era do tráfico transatlântico, cerca de 1,5 milhão de africanos foram desembarcados na Bahia. No século XVIII, especialmente entre 1701 e 1800, a Bahia recebeu uma parcela significativa do tráfico, com muitos vindo da Costa da Mina (Golfo do Benim) e da África Centro-Ocidental (principalmente Angola).
As pessoas escravizadas desempenhavam diversas funções na cidade, desde o trabalho doméstico e o transporte de mercadorias e pessoas (como nas “cadeiras de arruar”) até ofícios especializados como sapateiros, barbeiros, marinheiros e ferreiros. Muitas mulheres escravizadas atuavam tanto em serviços domésticos quanto no comércio de rua, vendendo alimentos e outros produtos.
O sistema de “ganho” era comum, onde os senhores permitiam que seus escravos trabalhassem nas ruas em troca de uma taxa semanal, o que lhes dava certa autonomia, embora ainda sob o jugo da escravidão.
A compra e venda de seres humanos enriqueceu muitos comerciantes e proprietários na Bahia, e o poder econômico e político desses traficantes era imenso.
A sociedade de Salvador no século XVIII era, portanto, profundamente marcada pela presença e pelo trabalho das pessoas escravizadas, que constituíam uma parte substancial de sua população e eram essenciais para o funcionamento da cidade e da economia colonial.
Resumo dos principais fatos históricos na Bahia no século XVIII
O século XVIII foi um período de grande efervescência e mudanças na Bahia, com eventos que moldaram o futuro da província e do Brasil. Salvador, a capital do Brasil Colônia até 1763, era uma das maiores e mais importantes cidades do império português, um centro econômico e cultural vibrante.
Os principais eventos históricos que se destacam nesse período são:
Expulsão dos jesuítas
Em 1759, o Marquês de Pombal, primeiro-ministro de Portugal, ordenou a expulsão dos jesuítas de todas as colônias portuguesas. Na Bahia, a medida teve um grande impacto, pois os jesuítas controlavam boa parte da educação e de propriedades rurais. A Coroa Portuguesa assumiu as instalações e as igrejas da ordem, e o ensino na colônia sofreu um período de degradação.
Transferência da capital do Brasil
Em 1763, a capital do Brasil foi transferida de Salvador para o Rio de Janeiro. Essa mudança, motivada principalmente pela ascensão da exploração do ouro em Minas Gerais e pela necessidade de centralizar o controle sobre essa nova riqueza, marcou o declínio da importância política de Salvador. A cidade, no entanto, continuou a ser um importante centro econômico, eclesiástico e jurídico na América Portuguesa.
A Conjuração Baiana (1798)
Conhecida também como Revolta dos Alfaiates, a Conjuração Baiana foi o principal movimento popular e emancipacionista do século XVIII na Bahia. Diferente da Inconfidência Mineira, que tinha um caráter mais elitista, a Conjuração Baiana contava com a participação de membros das camadas mais pobres da sociedade, incluindo artesãos, soldados, escravos e ex-escravos.
Influenciados pelos ideais da Revolução Francesa de “Liberdade, Igualdade e Fraternidade” e pela Revolução Haitiana, os revoltosos defendiam a proclamação de uma república, o fim do trabalho escravo e o livre comércio. O movimento foi duramente reprimido pelas autoridades portuguesas, e seus líderes de origem popular, como os alfaiates João de Deus Nascimento e Manuel Faustino dos Santos Lira, foram condenados à morte e enforcados. Os membros da elite envolvidos, no entanto, receberam penas mais brandas, o que mostra o caráter de classe da repressão.