HISBA- Aula 2

Decolonialidade: relfexões necessárias para um novo começo

Não se espante com o termo. Ainda que nunca tenha escutado ou o conheça, em alguma medida o termo remete a alguma familiaridade, não é? Sim, tem relação com a colonização ou o período colonial ao qual estivemos submetidos.

Para estudarmos a História da Bahia e dos povos aqui viventes precisamos, antes, tomar uma importante decisão pedagógica; romper ou ao menos tentar romper com os laços coloniais que ainda nos restam.

Você poderia me questionar sobre esse argumento introdutório, afinal já não somos colônia portuguesa há alguns séculos.

Mas será que nosso tecido social e as estruturas institucionais, de fato, não mantiveram pilares culturais, sociais, filosóficos e uma cosmovisão eurocentrada? Será que de fato, por todos os processos de organização político-social pelos quais passamos desde o fim do Império Português como nossa metrópole, é possível assumir um Brasil livre dessas amarras históricas?

Ao questionarmos isso e muitas outras coisas expandimos nosso horizonte intelectual e nos permitimos refletir sobre quem nós somos e porquê assim somos. E esse processo de pensamento dialético nos possibilitará darmos um importante passo à decolonialidade.  

Introdução ao método

A Carta de Pero Vaz de Caminha é o primeiro documento histórico sobre o território, hoje chamado de Brasil.

É um documento encomendado pela Corte Real Portuguesa e escrito pelo português Pero Vaz, como bem sabemos.

Mas, afinal, o que diz sobre nós ou sobre aqueles povos que cá foram encontrados na “descoberta” portuguesa?

É possível descobrir um lugar ou território em sua vasta extensão quando há outros já habitando? Como explicar isto?

A proposta metodológica que seguiremos é iniciar esse desfazimento compreendendo analítica e criticamente A Carta de Pero Vaz, dando ênfase a trechos destacados e indicados para que possamos refletir, olhando para aquele tempo histórico, se houve descoberta e se ela foi europeia (portuguesa).

E para mantermos nossa coerência, após esse exercício teórico e dialético, abandonaremos todas as referências clássicas, brancas e eurocentradas sobre nossa História. Faremos um esforço hercúleo (quer dizer de grande magnitude considerando a história grega de Hércules) para não cedermos ao olhar ocidental sobre nós e sim, buscarmos outras referências e, quem sabe, nessa jornada, edificarmos um outro olhar, uma outra conscientização sobre quem somos ou porquê ainda somos um povo de laços fortes com o colonizador.

No link a seguir você terá A Carta de Pero Vaz de Caminha em formato pdf na íntegra e já com os destaques a serem estudados. Contudo, na aula posterior você encontrará apenas os destaques para que possamos fazer nosso exercício crítico e analítico.