A redação de um artigo científico exige clareza, objetividade e rigor metodológico, baseando-se universalmente na estrutura IMRaD. O objetivo central é permitir que outros pesquisadores compreendam, repliquem e validem o seu estudo.
Qual é o problema e por que estudá-lo?
Contextualização do tema, revisão da literatura essencial, lacuna de pesquisa (o que ainda não se sabe) e os objetivos ou hipóteses do trabalho.
Como o problema foi estudado?
Desenho do estudo, amostra/participantes, instrumentos de coleta, procedimentos éticos e métodos de análise de dados. Deve ser detalhado o suficiente para permitir replicação.
O que foi encontrado?
Apresentação direta dos dados (usando tabelas e gráficos, se necessário), sem interpretações subjetivas. Apenas os fatos extraídos da análise.
O que os achados significam?
Interpretação dos resultados à luz da literatura apresentada na introdução. Aponta limitações do estudo e sugere direções para pesquisas futuras. (Frequentemente inclui a Conclusão ou Considerações Finais).
Objetividade e Impessoalidade: Evite jargões desnecessários e adjetivos emocionais ou exagerados (ex: “resultados incríveis”). A tradição dita o uso da terceira pessoa do singular ou voz passiva (“observou-se que…”), embora a primeira pessoa do plural (“observamos que…”) seja cada vez mais aceita em diversas áreas.
Concisão: Frases curtas e diretas reduzem a ambiguidade. Se uma palavra não altera o sentido da frase, corte-a.
Rigor nas Citações (Embasamento): Nenhuma afirmação factual deve ficar “solta”. Toda premissa que não for de conhecimento geral ou resultado direto da sua pesquisa deve ser respaldada por autores anteriores, seguindo rigorosamente as normas (ABNT).
Coerência e Coesão: O artigo deve contar uma história lógica. A lacuna apontada na Introdução deve ser o alvo dos Métodos, gerando os Resultados que serão respondidos na Discussão.
Uma introdução eficaz convence o leitor — e o revisor — de que sua pesquisa é relevante e necessária, guiando-o do contexto geral até o seu objetivo específico. Pense nela como um funil focado em criar um espaço para o seu trabalho.
O Território (Contexto Amplo): Comece estabelecendo a base da sua pesquisa. O que já se sabe sobre o tema? Use referências sólidas e recentes para situar o leitor sem se alongar em obviedades.
A Lacuna (O Nicho): É aqui que muitos manuscritos tropeçam. Identifique claramente o que não se sabe ou o que precisa ser atualizado. Pode ser um conflito na literatura, um método não testado ou uma população negligenciada. Sinalize essa quebra de expectativa com transições claras: “No entanto, poucos estudos investigaram…”, “Apesar dos avanços, permanece incerto se…”.
A Solução (Seu Objetivo): Declare exatamente como o seu artigo preenche a lacuna apontada. Apresente seus objetivos, a questão de pesquisa e, se aplicável ao seu campo, suas hipóteses principais de forma direta.
Escreva (ou finalize) por último: O primeiro rascunho da introdução serve para guiar sua pesquisa, mas a versão final só deve ser polida após a Discussão e a Conclusão estarem prontas. Fica mais fácil introduzir um problema quando você sabe exatamente como ele foi respondido.
Corte as raízes históricas: Evite o clichê “Desde os primórdios da humanidade…”. A menos que seu artigo seja de cunho histórico, vá direto ao ponto atual do debate científico. Cite apenas os trabalhos que pavimentam o caminho para o seu problema.
Estabeleça um contrato claro: O último parágrafo da introdução é uma promessa ao leitor. Se você prometer avaliar três variáveis, certifique-se de que a seção de Métodos explique como elas foram medidas e a de Resultados entregue os dados correspondentes.
Mantenha a proporção: Uma introdução raramente deve ultrapassar 10% a 15% do limite de palavras do manuscrito. Se estiver longa demais, é provável que você esteja misturando conceitos teóricos que pertencem à Revisão de Literatura ou antecipando análises da Discussão.